Bergman Revisitado

16 de fevereiro de 2010

Ingmar Bergman, genial cineasta escandinavo, um dos dez grandes diretores-autores cinematográficos do século XX, diríamos mesmo de todos os tempos, enquanto os elementos essenciais da arte fílmica no futuro forem os mesmos de hoje.

Nascido em 14 de julho, data simbólica, na cidade de Uppsala, e batizado Ernest Ingmar Bergman, segundo registram seus biográficos, o jovem Ingmar trouxe das experiências traumáticas de sua infância, sob o tacão de pai puritano e sádico, a geratriz de muitas inquietações de sua vida adulta como profissional do teatro (por quem se apaixonou desde os cinco anos) e do cinema (arte com a qual se identificou plenamente na década de 40). Acasos favoráveis levaram-no a um contato com a ´Svenskifilmindustri´: a resenha de uma de suas peças em exibição na cidade caiu nas mãos de mulher influente na indústria cinematográfica: ela foi ao teatro, assistiu ao drama, conheceu o jovem autor e contratou-o de imediato, recomendando-o ao diretor Alf Sjoberg (1903-80). Este decidiu dar a Bergman o ensejo de escrever o roteiro de Tortura de um Desejo (Hets). Corria o ano de 1944, Bergman completara 26 anos… Sjoberg se surpreende.

De sua infância perturbada por um pai neurótico e na contramão do bom senso e da realidade de todo dia, e para quem o sexo era pecado, a não ser entre casados e para fins de procriação (?), Bergman trouxe algumas obsessões, sobretudo o ponto crítico da angústia existencial. Há algo além da morte? Deus existe? Poderá ele ser a causa de sua causa? Qual a natureza intrínseca de Deus? Para Bergman, admitir o homem como imagem e semelhança de Deus é rematada tolice. Essa inquietação metafísica prepondera aliás em O Sétimo Selo, um dos seus melhores filmes, e noutros mais. Escusado lembrar as cenas iniciais do sonho do Dr. Borg, quando ele olha para o relógio sem ponteiros em plena rua em Morangos Silvestres e depois ver cair do coche fúnebre um cadáver: é ele mesmo. Tudo quanto Bergman pretendeu dizer está nas suas imagens-significantes.

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Metafórico e Metonímico

16 de fevereiro de 2010

O cinema é metafórico (via analogias implícitas) e metonímico (via associações e relações de contigüidade), como leciona o filmólogo britânico Don Allen em seu ”Films and Filmmakers” (1979), ou seja, vê além de suas próprias imagens, sons e movimento para criar novos significados.

Assim, quando Ingmar Bergman, o grande mestre sueco, dá o título de O Ovo da Serpente (´Das Schlangenei´,1979) ao seu filme, não quer tratar de cobras mas, sim, fazer uma analogia ou estabelecer relações de similaridade com a gestação e o nascimento do nazismo, o qual poderia ter sido abortado, destruindo-se a tempo o ovo e a serpente a nascer. O filme não foi bem entendido pelas platéias, as quais viam nele o extravasamento do rancor de Bergman contra os agentes do imposto de renda da Suécia, interessados apenas em arrasá-lo financeiramente.

O caso pessoal do cineasta nada tem a ver com o plano de conteúdo de O Ovo da Serpente, cuja abrangência e densidade foi percebida por poucos. Tudo quanto lá se passa e se vê é quase um prenúncio de como podem surgir regimes liberticidas e assassinos. Quando Bergman põe o personagem central de Morangos Silvestres (´Smultronstället´,1957) parado em plena rua olhando para um poste onde está um relógio sem ponteiros, logo percebemos ter chegado ao fim o tempo de vida do Dr. Borg, os marcadores das horas de sua existência já não mais subsistem. Outros exemplos são desnecessários para lembrar aos aficionados desatentos o poder da metáfora e da metonímia no cinema. E não as mencionamos para demonstrar sabença, pois esse código da imageria cinematográfica integra as noções fundamentais da Sétima Arte.

Eterno KUBRICK

16 de fevereiro de 2010

Meticuloso, perfeccionista, de olho vivo no detalhe relevante, Kubrick era “connaisseur” da técnica e da linguagem de cinema como nenhum outro cineasta, faceta reconhecida por diretores, técnicos e filmólogos e por todos quantos com ele privavam. Enquanto Welles, outro dos imortais, tinha seu forte na exuberância e grandiloqüência da criatividade em relação às potencialidades do veículo fílmico, Kubrick tinha o domínio técnico em todos os aspectos da filmagem, até mesmo no tocante às lentes, iluminação e desmonte das objetivas de 70mm e às câmaras de mão e até da steadicam criada por Garret Brown em face das reiteradas sugestões do próprio cineasta.

Kubrick conhecia a fundo a decupagem e sabia como conduzir com perfeição o ritmo cinematográfico, os cortes precisos, como escreveu o biógrafo Vincent Lobrutto. James B. Harris, co-produtor de alguns de seus filmes, era seu fã incondicional; Walter Hugo Khoury o tinha na mais alta conta; François Truffaut admirava-o. Para Carol Reed dificilmente surgirão outros iguais a Welles ou Kubrick. Para o amigo e cineasta Alexander Singer, “Stan deixou-nos lições inesquecíveis de cinema magistral”. Aliás, foi Singer quem lhe ensinou os rudimentos de cinema, quando Kubrick tinha 18 anos, enquanto este ensinou a Singer como conhecer os segredos da fotografia…

Olá, internautas !

16 de fevereiro de 2010

Bem-vindos ao KUBRICKIANO !

É um prazer tê-lo como leitor !

 Este espaço é dedicado à Sétima Arte e traz artigos, opiniões e comentários do professor, cinéfilo e crítico de Cinema LG de Miranda Leão, também autor do Blog do LG – com postagens diferentes destas aqui.

Os posts vão sair com a assinatura Aurora mas todos os textos são do próprio LG. Mas como foi a filha quem criou o novo espaço, onde a Sétima Arte terá abrigo seguro, fica então a assinatura desta, mas os textos são do Mestre, analista de Cinema há mais de 50 anos…

VIVAAAAAAA !!!